Hoje, acordei pensativo em relação ao amor. Será que neste mundo louco e corrido, as pessoas se lembram do que seja isto?
Nunca
tive tanta sorte com esse sentimento tão desejado e longínquo da
nossa realidade, num mundo tão vazio e superficial, mas nunca me
arrependi de nada que eu fiz por amor, por mais que não tenha sido
correspondido ao ponto cujo me entreguei, porém como dizem: "Só aprendemos com os nossos próprios erros", se foi um erro, eu não sei, mas fiz e faria de novo. Uma vez que somos bombardeados de rostinhos bonitos sem conteúdo e por uma cultura fútil e efêmera, onde o sentimento é completamente descartável...
Amar
Que pode uma criatura senão,
entre criaturas, amar?
amar e esquecer, amar e malamar,
amar, desamar, amar?
sempre, e até de olhos vidrados, amar?
Que pode, pergunto, o ser amoroso,
sozinho, em rotação universal, senão
rodar também, e amar?
amar o que o mar traz à praia,
o que ele sepulta, e o que, na brisa marinha,
é sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia?
Amar solenemente as palmas do deserto,
o que é entrega ou adoração expectante,
e amar o inóspito, o áspero,
um vaso sem flor, um chão de ferro,
e o peito inerte, e a rua vista em sonho,
e uma ave de rapina.
Este o nosso destino: amor sem conta,
distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas,
doação ilimitada a uma completa ingratidão,
e na concha vazia do amor à procura medrosa,
paciente, de mais e mais amor.
Amar a nossa falta mesma de amor,
e na secura nossa, amar a água implícita,
e o beijo tácito, e a sede infinita.
entre criaturas, amar?
amar e esquecer, amar e malamar,
amar, desamar, amar?
sempre, e até de olhos vidrados, amar?
Que pode, pergunto, o ser amoroso,
sozinho, em rotação universal, senão
rodar também, e amar?
amar o que o mar traz à praia,
o que ele sepulta, e o que, na brisa marinha,
é sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia?
Amar solenemente as palmas do deserto,
o que é entrega ou adoração expectante,
e amar o inóspito, o áspero,
um vaso sem flor, um chão de ferro,
e o peito inerte, e a rua vista em sonho,
e uma ave de rapina.
Este o nosso destino: amor sem conta,
distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas,
doação ilimitada a uma completa ingratidão,
e na concha vazia do amor à procura medrosa,
paciente, de mais e mais amor.
Amar a nossa falta mesma de amor,
e na secura nossa, amar a água implícita,
e o beijo tácito, e a sede infinita.
(Carlos Drummond de Andrade)
E para completar esse momento tão sofrido e reflexivo (risos), trouxe uma música deliciosa para livre desgustação (com cifras para quem gosta de tocar violão).
Amar alguém - Marisa Monte
Comentem, curtam e compartilhem.
.jpg)